domingo, 13 de outubro de 2013

Que Futuro?


“Como é que uma geração pode sentir a necessidade de um futuro? Quando este ainda está no infinito.”
 

A MINHA GERAÇÃO
A minha geração
acreditou em promessas
engrossou a procissão
foi indo na conversa

aceitou o futuro
como se fosse presente
a cenoura e o burro
qual dos dois vai à frente

a minha geração
deu tudo por uma casa
mistério e padrão
de uma vida hipotecada

encheu-se de rotinas
começou pelo casamento
uma vida preenchida
sem nada por dentro

a minha geração

a minha geração
ainda fuma uns charros
essa espécie de refrão
que acende o passado

transferiu para os filhos
os sonhos adiados
chamou-lhe destino
nos versos de um fado

a minha geração

trocou a felicidade 
por bens de consumo
mas jura e acontece
que quer ir mudar o mundo

jogou à cabra cega
deixou-se apanhar
a vida é uma arena
onde nos querem lixar

a minha geração

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Consciência


Quando temos consciência do nosso próprio valor…Não é qualquer coisa que nos satisfaz e muito menos que nos atinge.   


A Pele Que há Em Mim

Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu

E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo no meu
Uma trança arrancou
E o sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu

Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.

Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu
O caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou.

Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei
Para lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
Para voltar a viver
Já nem sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber.

Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada.
O meu barco vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala.
Na vertigem da voz
Quando enfim se cala.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Janela Aberta


Deixe a janela aberta para entrar a felicidade, nunca deixe a janela entreaberta… podem entrar muitas inverdades, insensatez e ar poluído.

 
Amanhã é Sempre Longe Demais

P' la janela, mal fechada
Entra já a luz do dia
Morre a sombra, desejada
Numa esperança fugi um dia

Foi uma, noite sem sono
entre saliva e suor
com um travo, de abandono
e gosto a outro sabor

Dizes-me até amanhã
que tem de ser, que te vais
só que amanhã, sabes bem
é sempre longe demais
acendo mais um cigarro
invento mil ideais
só que amanhã sei-o bem
é sempre longe demais

P' la janela mal fechada
Chega a hora do cansaço
Vai-se o tempo desfiando
em anéis de fumo baço

Dizes-me até amanhã
que tem de ser, que te vais
só que amanhã, sabes bem
é sempre longe demais
acendo mais um cigarro
invento mil ideais
só que amanhã sei-o bem
é sempre longe demais