quinta-feira, 30 de março de 2017

Por de trás dos porquês


Visite 
de Francisco Oliveira 

CRU - Tens Mesmo De Querer

Abre o baú de memórias, foge do remorso,
Porque a culpa anda atrás de nós
Vê as polaroides de histórias, pesam no teu dorso
Ouço cicatrizes na tua voz
Temos marcas do que já foi, do que nunca chegou a ser
Antes da emergência do fim
Tenta libertar-te de ideias de interinidades desperdiçadas
Mas, o infinito ecoa dentro de mim

Já não podes apagar o passado que está escrito
Mas podes descrever o futuro que imaginas
Tu podes tentar criar, o cenário que defines
Mas tens mesmo que querer, tens mesmo que querer

Tira as imagens das molduras
São lembranças lancinantes, podem magoar-te
Tem cuidado, não queiras perder-te
E a vaidade podem enganar-te
É subtil, mas vai alcançar-te. Fazer-te tropeçar só mais uma vez
Tu juras que é a última vez, eu sou testemunha daquilo que vês,
Daquilo que dizes, daquilo que crês, não queiramos acreditar
Que não há fantasmas por de trás dos porquês
Há promessas que se foram, atraiçoadas pela máxima: a intenção é que conta
Palavras esvaneceram-se no ar,ar,ar, ar…

Já não podes apagar o passado que está escrito
Mas podes descrever o futuro que imaginas
Tu podes tentar criar, o cenário que defines
Mas tens mesmo que querer, tens mesmo que querer 

quinta-feira, 23 de março de 2017

A mamã estava a dormir



VisitCoisas de uma vida:  de Cidália Ferreira


Moda Alentejana

Pedro Mestre - Campaniça do Despique "Zuca Zuca"

Namorei a costureira pelo buraco da chave
e ela estava zuca zuca e esta porta não se abre.
Esta porta não se abre ela é muito má de abrir
e ela estava zuca zuca e a mamã estava a dormir.
A mamã estava a dormir a mamã estava deitada
e ela estava zuca zuca era quase de madrugada.
Era quase de madrugada era o nascer do sol
e ela estava zuca zuca e o cu dela era um fole.
O cu dela era um fole e a barriga um sarilho
e ela estava zuca zuca com o dedo no gatilho."

quinta-feira, 16 de março de 2017

Seja onde for e como for

“Só somos livres se formos o que somos”



Tiago Bettencourt - Se Me Deixasses Ser

Se me deixasses ser
O sítio onde podes voltar
Depois do dia entardecer
Ou quando a noite te agarrar
O corpo forte de chegar
A casa de permanecer
A casa para regressar
Se me deixasses ser...
Seja onde for

Se o filme fosse meu
Na luta contra o mal
Tudo o que te faz doer
Morria no final
E se o escuro não passar
E te cega como uma prisão
Vou-te resgatar
Lavar-te o coração
Se me deixasses ser
Se fosse eu a mandar
Fazia-te ver...

Frente ao precipício
Juntos pela mão
Se hoje queres saltar
Eu quero ser razão

Se me fizesses crer
no sitio onde posso voltar
para um dia entardecer
e quando a noite descansar
Na casa de permanecer
Na pedra que fazemos chão
para me rever
lavar o coração
se me fizesses crer
se fosse eu a mandar
fazia-te ver

sexta-feira, 10 de março de 2017

Deixo correr o tempo



O tempo é como o mar que corre





União das Tribos / Mafalda Arnauth - Contratempo

Sai apressada
No rasto da madrugada
Caminha sozinha
Na noite fechada

Sigo na estrada
Para qualquer lugar
É o tudo ou nada
Que nos faz ficar


Deixo correr o tempo
Abraço o teu olhar
Entro em contra tempo
Quando te vejo chegar

Nas noites que espero
O tempo passa devagar
Sei o que quero
Vejo-te no meu olhar

O céu está cinzento
A noite ficou para atrás
Vejo-te em contra tempo
Enquanto o sonho se desfaz

Deixo correr o tempo
Abraço o teu olhar
Entro em contra tempo
Quando te vejo chegar

sábado, 4 de março de 2017

Sabe-se lá


“Sabe-se lá por que tudo é assim. Poderia ser de outro modo?”





Visit  sei_lá...

Balada do Desajeitado-Sebastião Antunes e Quadrilha

Sei de alguém
Por demais envergonhado
Que por ser tão desajeitado
Nunca foi capaz de falar

Só que hoje
Viu o tempo que perdeu
Sabes esse alguém sou eu
E agora eu vou-te contar

Sabes lá
O que é que eu tenho passado
Estou sempre a fazer-te sinais
E tu não me tens ligado

E aqui estou eu
A ver o tempo a passar
A ver se chega o tempo
O tempo de te falar

Eu não sei
O que é que te hei-de dar
Nem te sei
Inventar frases bonitas

Mas aprendi uma ontem
Só que já me esqueci
Então olha só te quero a ti

Podes crer
Que à noite o sono é ligeiro
Fico á espera o dia inteiro
Para poder desabafar

Mas como sempre
Chega a hora da verdade
E falta-me o á vontade
Acabo por me calar

Falta-me jeito
Ponho-me a escrever e rasgo
Cada vez a tremer mais
E às vezes até me engasgo

Nada a fazer
É por isso que eu te conto
É tarde para não dizer
Digo como sei e pronto

Eu não sei
O que é que te hei-de dar
Nem te sei
Inventar frases bonitas

Mas aprendi uma ontem
Só que já me esqueci
Então olha só te quero a ti