quinta-feira, 28 de junho de 2018

Talvez


Talvez seja questão de tempo, ou talvez o tempo seja a questão.
                          Autor desconhecido 


Gonçalo Guerra-penso em ti

Eu penso em ti  
No que é que pensas   
Eu penso em nós 
Nas tais diferenças

Achei que tinhas  
Outras respostas
Achei que amavas 
Nem sei se gostas

E quando eu sorri para ti  
eu juro que não sei se vi 

Só que hoje    
dizes-me talvez mas finges que não vês  
Só que hoje
dizes-me talvez mas sinto que é de vez  

Fiquei à espera 
Todos os dias 
e se olhavas 
nem sei se vias 

Eu já não tinha
essa ambição 
mas se voltares 
roubas-me o chão 

E quando eu sorri para ti 
eu juro que não sei se vi

Só que hoje
dizes-me talvez mas finges que não vês
Só que hoje
dizes-me talvez mas sinto que é de vez

Eu queria tudo o que tinhas mas tanto faz
Tu querias tudo o que vias mas tanto faz

Só que hoje
dizes-me talvez mas finges que não vês
Só que hoje
dizes-me talvez mas sinto que é de vez

Só que hoje
dizes-me talvez mas finges que não vês
Só que hoje
dizes-me talvez mas sinto que é de vez

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Solidão amarga

Tudo se destrói, tudo perece, tudo passa; só o mundo é que fica. Só o tempo é que dura.
          Denis Diderot


Estradas no Céu – Valas e Raquel Tavares

Eu vejo estradas no céu
Que me levam sempre a ti
Sou tua e tu és meu
Lugar onde sou feliz

Eu cresci na madrugada, noites que não acabavam
E só quando o sol raiava é que adormecia o kid
E vi sem dizer nada quem apenas procurava
Uma solidão amarga ou a tentar fugir daqui

Há quem sinta sempre mais
Quem fica sente quem vai
Parar o barco noutro cais
De que vale o que imagino

Ter a casa pintada com a cor do teu vestido
E um beijo na pele enrugada, ter criado 2 filhos

Ouvi, saudade, leva-me contigo
Apesar de eu ter em mim as memórias de uma vida
E liberdade, sou dono do destino
Quero dedicar a ti as vitórias que consiga

É a história que fica, quando acabar o show
Hei de continuar o voo, suspenso na gravidade
Não pode ser passado porque é para lá que eu vou
Prometi voltar um dia, onde pertenço de verdade

Eu vejo estradas no céu
Que me levam sempre a ti
Sou tua e tu és meu
Lugar onde sou feliz

Tu és, tu és
Onde me encontro
Eu sei, eu sei
Que só pertenço a ti
Tu és, tu és
Onde me encontro
Eu sei, eu sei
Que só pertenço a ti

Como se o tempo parasse, silêncio na cidade
Não quis abandonar eu só venci noutro lado
Ainda sou retrato, escondo o teu abraço
Sei o que um dia foste, entendo o resultado

Sou feito à tua imagem e fruto da tua classe
Nunca faltou coragem e sinto-me abençoado
‘Tou a tentar cativar cada a oportunidade
E saber aproveitar assim como me ensinaste

Ouvi, Saudade, levo-te comigo
Diz quem me conhece que eu tenho orgulho nisso
O meu compromisso é manter a vela acesa
E que toda a incerteza desapareça no seu brilho

É a história que fica, quando acabar o show
Hei de continuar o voo, suspenso na gravidade
Não pode ser passado porque é para lá que eu vou
Prometi voltar um dia, onde pertenço de verdade

Eu vejo estradas no céu
Que me levam sempre a ti
Sou tua e tu és meu
Lugar onde sou feliz

Tu és, tu és
Onde me encontro
Eu sei, eu sei
Que só pertenço a ti
Tu és, tu és
Onde me encontro
Eu sei, eu sei
Que só pertenço a ti

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Crer

Crer é errar. Não crer de nada serve

                                                Ricardo Reis
                                                (Heterónimo de Fernando Pessoa)


Nuno Ribeiro - Tu

Tu, és como uma sombra, que me segue, para todo o lugar
Tu, és algo que me assombra, me persegue, mas não posso tocar
Não sei, porquê, deixei de ver e sinto-me a cegar
Não dá, para crer, deixei de ser e não sei respirar

Tu, tu tiras-me do sério, porque tu, tu para mim és um mistério
não dá para ler nem dá para entender o que tu sentes
nem dá para ver se falas verdade ou se tu mentes

Não, não dá para ver o que tens para dizer,
mas vou descobrir e hei de conseguir saber o que pensas
Não, assim não pode ser, não sei o que fazer
mas quero saber como desfazer as nossas diferenças

Não sei, porquê, deixei de ver e sinto-me cegar
Não dá, para crer, deixei de ser e não sei respirar

Tu, tu tiras-me do sério, tu para mim és um mistério
e não dá para ler nem dá para entender o que tu sentes
nem dá para ver se falas verdade, ou se tu mentes        

Parece que faz sentido o que está a acontecer
mas sinto-me perdido sem saber o que fazer
tu nunca dás certezas do que queres e que não queres
de mim…

Tu, tu tiras-me do sério, tu para mim és um mistério
e não dá para ler nem dá para entender o que tu sentes
nem dá para ver se falas verdade, ou se tu mentes        

Não da pra ler… nem dá pra ver 
Ho ho ho ho ho

quarta-feira, 6 de junho de 2018

sonho de calor tão frio

Não me basta ter um sonho. Eu quero ser um sonho 
                                  Mia Couto


Pedro Vicente - Monte da Solidão

Escrevo embalado na noite um poema sombrio
Caio nas garras do sonho de calor tão frio
Sinto que parte de mim abandona o viver
Saio para chorar por ti para não te esquecer

Pego nas duras palavras que trago no peito
Seguro uma parte de mim no meu resto desfeito
Rezo para que não me deixes perdido no mundo
Choro porque percebi que cheguei ao fundo

E basta-me sorrir, para iluminar o escuro
E basta-me ouvir, cantar
E quero alcançar, o cimo deste monte
E quero aí ficar em paz     

E basta-me sorrir, para iluminar o escuro
E basta-me ouvir, cantar
E quero alcançar, o cimo deste monte
E quero aí ficar em paz