quarta-feira, 13 de junho de 2018

Crer

Crer é errar. Não crer de nada serve

                                                Ricardo Reis
                                                (Heterónimo de Fernando Pessoa)


Nuno Ribeiro - Tu

Tu, és como uma sombra, que me segue, para todo o lugar
Tu, és algo que me assombra, me persegue, mas não posso tocar
Não sei, porquê, deixei de ver e sinto-me a cegar
Não dá, para crer, deixei de ser e não sei respirar

Tu, tu tiras-me do sério, porque tu, tu para mim és um mistério
não dá para ler nem dá para entender o que tu sentes
nem dá para ver se falas verdade ou se tu mentes

Não, não dá para ver o que tens para dizer,
mas vou descobrir e hei de conseguir saber o que pensas
Não, assim não pode ser, não sei o que fazer
mas quero saber como desfazer as nossas diferenças

Não sei, porquê, deixei de ver e sinto-me cegar
Não dá, para crer, deixei de ser e não sei respirar

Tu, tu tiras-me do sério, tu para mim és um mistério
e não dá para ler nem dá para entender o que tu sentes
nem dá para ver se falas verdade, ou se tu mentes        

Parece que faz sentido o que está a acontecer
mas sinto-me perdido sem saber o que fazer
tu nunca dás certezas do que queres e que não queres
de mim…

Tu, tu tiras-me do sério, tu para mim és um mistério
e não dá para ler nem dá para entender o que tu sentes
nem dá para ver se falas verdade, ou se tu mentes        

Não da pra ler… nem dá pra ver 
Ho ho ho ho ho

quarta-feira, 6 de junho de 2018

sonho de calor tão frio

Não me basta ter um sonho. Eu quero ser um sonho 
                                  Mia Couto


Pedro Vicente - Monte da Solidão

Escrevo embalado na noite um poema sombrio
Caio nas garras do sonho de calor tão frio
Sinto que parte de mim abandona o viver
Saio para chorar por ti para não te esquecer

Pego nas duras palavras que trago no peito
Seguro uma parte de mim no meu resto desfeito
Rezo para que não me deixes perdido no mundo
Choro porque percebi que cheguei ao fundo

E basta-me sorrir, para iluminar o escuro
E basta-me ouvir, cantar
E quero alcançar, o cimo deste monte
E quero aí ficar em paz     

E basta-me sorrir, para iluminar o escuro
E basta-me ouvir, cantar
E quero alcançar, o cimo deste monte
E quero aí ficar em paz     

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Certo


Cada dia é sempre diferente dos outros, mesmo quando se faz aquilo que já se fez
               José Luís Peixoto


João Pedro Pais | És do Mundo

Pode alguém saber ao certo
Qual o tamanho do deserto
E quando acaba o mar
A importância de um minuto
Do orgulho do estatuto
Respiramos o mesmo ar
Respiramos o mesmo ar

A mão que te agarra forte
Vem com uma força galope
Sente o chão que vais pisar
As pedras unem os caminhos
Nunca estiveste sozinho
Tens alguém para te guiar

És do mundo
Queres viver para sempre
O teu sonho corre
Mesmo à tua frente

És do mundo
E que mundo é este
É que os tempos hoje estão bastante diferentes

Que te mostrou a morada
Desenhou a tua estrada
Continua a caminhar

A vontade é a primeira
Tão amiga e companheira
Nunca foi de te deixar
Nunca foi de te deixar

A mão que te agarra forte
Vem com uma força galope
Sente o chão que vais pisar
As pedras unem os caminhos
Nunca estiveste sozinho
Tens alguém para te guiar

És do mundo
Queres viver para sempre
O teu sonho corre
Mesmo à tua frente

És do mundo
E que tempo é este
É que os tempos hoje estão bastante diferentes

És do mundo
Queres viver para sempre
O teu sonho corre
Mesmo à tua frente

És do mundo
E que mundo é este
É que os tempos hoje estão bastante diferentes.

És do mundo
E que mundo é este
É que os tempos hoje estão bastante diferentes