segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Afinal

Uma palavra tão pequena faz toda a diferença, quando pronunciada.


Miguel Gameiro — Pequenas Coisas

Não sei das coisas do Mundo
dos interesses das nações
da defesa ou da estratégia
das grandes conspirações

Mas sei que são as coisas mais pequenas
aquelas que te fazem mais feliz
pequenas grandes coisas que são tanto
para ti

Não sei da 3ª guerra
da grande revolução
da tal invasão da terra
ou da globalização

Mas sei de uma palavra tão pequena
capaz do maior feito natural
dize-la faz tudo valer a pena, afinal

Eu vou dize-la assim sem qualquer medo
em toda a sua força e seu esplendor
há muito que deixou de ser segredo
Meu Amor

Nunca fui dado ás coisas do futuro
nem sou de olhar o chão que já pisei
mas sei que ao pé de ti eu vou seguro
estou bem

É bom saber que vamos lado a lado
que a vida está cheia de gente só
e mesmo sem saber onde nos leva
eu vou
eu vou

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Não faz mal, vai sem medo





Resistência - Vai sem Medo

Vai sem medo
É de novo o começo
Que outra vez acontece
O horizonte escurece
Faz-se um grande sossego,

Não faz mal, vai sem medo
Não há preto nem branco
Nem há ninguém por perto
Que te possa ajudar

Vai depressa
E parte à descoberta
Porque a noite aparece
Nem há sombras no chão
E é tão grande o segredo

Não faz mal, vai sem medo
Não há preto nem branco
Nem há ninguém por perto
Que te possa guiar

Pensa grande
Num futuro distante
Em que possas mudar

Teu amor encontrar
Num caminho incerto


Não faz mal, vai sem medo
Não há preto nem branco
Nem há ninguém por perto
Só quem vais encontrar
Não faz mal, vai sem medo
Não há preto nem branco

Nem há ninguém por perto

Só quem vais encontrar

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Cada passo


              Costa Vicentina 
“A vida oferece-nos, felicidade, sorrisos, sonhos tristezas e deceções.”


Eu Seguro - Samuel Úria com Márcia

Quando o tempo for remendo,
Cada passo um poço fundo
E esta cama em que dormimos
For muralha em que acordamos,
Eu seguro
E o meu braço estende a mão que embala o muro.

Quando o espanto for de medo,
O esperado for do mundo
E não for domado o espinho
Da carne que partilhamos,
Eu seguro.
O sustento é forte quando o intento é puro.

Quando o tempo eu for remindo,
Cada poço eu for tapando
E esta pedra em que dormimos
Já for rocha em que assentamos,
Eu seguro.
Deixo às pedras esse coração tão duro.

Quando o medo for saindo
E do mundo eu for sarando
Dessa herança eu faço o manto
Em que ambos cicatrizamos
E seguro.
Não receio o velho agravo que suturo.

Abraços rotos, lassos,
Por onde escapam nossos votos.
Abraço os ramos secos,
Afago, a fogo, os embaraços
E seguro,
Alastro essa chama a cada canto escuro.

Quando o tempo for recobro,
Cada passo abraço forte
E o voto que concordámos
É o amor em que acordamos,
Eu seguro:
Finco os dedos e este fruto está maduro.

Quando o espanto for em dobro,
o esperado mais que a morte,
Quando o espinho já sarámos
No corpo que partilhamos,
Eu seguro.
O que então nascer não será prematuro.

Uníssonos no sono,
O mesmo turno e o mesmo dono,
Um leito e nenhum trono.
Mesmo que brote o desabono
Eu seguro,
Que o presente é uma semente do futuro.