sexta-feira, 10 de julho de 2015

Ao desengano


    “A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos.
      O quadro é único, a moldura é que é diferente.”

                                      Florbela Espanca




Rodrigo Leão - Vida Tão Estranha

São de veludo as palavras
Daquele que finge que ama
Ao desengano levo a vida
A sorte a mim já não me chama

Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão maltratado
Já nem chorar
Me traz consolo
Resta-me só um triste fado

A gente vive na mentira
Já não dá conta do que sente
Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração que mente

Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão maltratado
Já nem chorar
Me traz consolo
Resta-me só um triste fado

sábado, 4 de julho de 2015

Justamente

          Algarve / Portugal

Somos seres de constantes mudanças, e justamente por isso, cada minuto é precioso.


Aldina Duarte- Dois Ponteiros

Andas tão outro estes dias
Que dou por mim a cismar
Que vivo ao lado de um estranho
Se chego a rir, desconfias
Mas, se me dá para chorar
Nem queres saber o que tenho

Já não sei o que fazer
Se chego tarde, protestas
Se venho cedo, não estás
Ai, quem me dera entender
Porque o que agora contestas
Mais logo tanto te faz

Andas tão longe estes dias
Que ainda agora pensei
Que fui eu que me perdi
Se não estou onde tu querias
Basta dizeres-me onde errei
E volto a correr para ti

A mim não me pesa a culpa
Mas, se culpada me crês
Eu confesso o que não fiz
E até te peço desculpa

 Mesmo não tendo de quê
Só para te ver mais feliz

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Palmas e Fracassos

Não há nada mais valente, que um perdedor disposto a lutar pelos seus direitos.


Adeus Tristeza- Fernando Tordo

Na minha vida tive palmas e fracassos
Fui amargura feita notas e compassos
Aconteceu-me estar no palco atrás do pano
Tive a promessa de um contrato por um ano
A entrevista que era boa
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Na minha vida tive beijos e empurrões
Esqueci a fome num banquete de ilusões
Não entendi a maior parte dos amores
Só percebi que alguns deixaram muitas dores
Fiz as cantigas que afinal ninguém ouviu
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Adeus tristeza, até depois
Chamo-te triste por sentir que entre os dois
Não há mais nada para fazer ou conversar
Chegou a hora de acabar

Na minha vida fiz viagens de ida e volta
Cantei de tudo por ser um cantor à solta
Devagarinho num couplé para começar
Com muita força no refrão que é popular
Mas outra vez a triste sorte não sorriu
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Na minha vida fui sempre um outro qualquer
Era tão fácil, bastava apenas escolher
Escolher-me a mim, pensei que isso era vaidade
Mas já passou, não sou melhor mas sou verdade

Não ando cá para sofrer mas para viver
E o meu futuro há-de ser o que eu quiser