sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Vento

O vento e as ondas estão sempre a favor dos navegantes mais aventureiros, se não sabe navegar, não se torne um navegante da ilusão.


Caso fado
Trago no peito segredos
Amores confessos, ocultos desejos
O tempo apressado, o beijo partido
Inteiro aos pedaços da vida eu duvido
Trago no peito um segredo
Dos mares que desafio.

Trago no peito o meu mundo
Fagulha, centelha, amor vagabundo
Que bate calado o seu bate fundo
E sempre navega pro mesmo lugar
Trago no peito um segredo
Dos mares por navegar

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Aparência

É errado julgar pela aparência, todos sabemos que no dia-a-dia juga-se mais pela aparência do que pelo carácter da pessoa.

 
Concordância

Eu sou um pronome
Um pronome pessoal
Sou a primeira pessoa
Do sujeito singular
Ele é um pronome
Igualmente pessoal
E quer que eu me junte a ele
Numa relação plural

Mas onde está o meu substantivo?
E que verbos posso ambicionar?
Chamem-me nomes, maus adjetivos
Se é p'ra pior eu não vou mudar

Eu sou um pronome
Um pronome pessoal
Sou a primeira pessoa
Do sujeito singular
Ele é um pronome
Igualmente pessoal
E quer que eu me junte a ele
Numa relação plural

Mas eu não sou artigo indefinido
Nem um coletivo, nem um numeral
Eu tenho nome e p'ra mim exijo
Mais concordância gramatical

Sou um sujeito
Procuro um verbo
E um bom complemento direto
Quero frases afirmativas
E não viver em voz passiva

Somos sujeitos
Queremos verbos
Bons complementos diretos
Queremos frases afirmativas
E emoções superlativas

Somos sujeitos
Queremos verbos
Bons complementos diretos
Queremos frases afirmativas
E emoções superlativas

Eu sou um pronome
Um pronome pessoal
Sou a primeira pessoa
Do sujeito singular
Ele é um pronome
Igualmente pessoal
E quer que eu me junte a ele
Numa relação plural
 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Partida


A partida é dolorosa mas não desfaz o sentimento.  
 
O Barco Vai de Saída
O barco vai de saída
Adeus ó cais de alfama
Se agora vou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
P´ra lá da loucura
P´ra lá do equador
Ah! mas que ingrata ventura bem me posso queixar
Da pátria a pouca fartura
Cheia de mágoas ai quebra mar
Com tantos perigos ai minha vida
Com tantos medos e sobressaltos
Que eu já vou aos saltos
Que eu vou de fugida
Sem contar essa história escondida
Por servir de criado a essa senhora
Serviu-se ela também tão sedutora
Foi pecado
Foi pecado
E foi pecado sim senhor
Que vida boa era a de lisboa
Gingão de roda batida
Corsário sem cruzado
Ao som do baile mandado
Em terras de pimenta e maravilha
Com sonhos de prata e fantasia
Com sonhos da cor do arco-íris
Desvairas se os vires
Desvairas magia
Já tenho a vela enfunada
Marrano sem vergonha
Judeu sem coisa sem fronha
Vou de viagem ai que largada
Só vejo cores ai que alegria
Só vejo piratas e tesouros
São pratas são ouros
São noites são dias
Vou no espantoso trono das águas
Vou no tremendo assopro dos ventos
Vou por cima dos meus pensamentos
Arrepia
Arrepia
E arrepia sim senhor
Que vida boa era a de lisboa
O mar das águas ardendo
O delírio dos céus
A fúria do barlavento
Arreia a vela e vai marujo ao leme
Vira o barco e cai marujo ao mar
Vira o barco na curva da morte
Olha a minha sorte
Olha o meu azar
E depois do barco virado
Grandes urros e gritos
Na salvação dos aflitos
Esfola, mata, agarra
Ai quem me ajuda
Reza, implora, escapa
Ai que pagode
Reza tremem heróis e eunucos
São mouros são turcos
São mouros acode
Aquilo é uma tempestade medonha
Aquilo vai p´ra lá do que é eterno
Aquilo era o retrato do inferno
Vai ao fundo
Vai ao fundo