quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Dor Calada




           "O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor
             que deveras sente."
             Fernando Pessoa       


No Teu Poema - Carlos do Carmo

No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida

No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.

No teu poema
Existe um canto, chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro

47 comentários:

  1. Foto linda e as palavras do poeta perfeitas! abraços,lindo dia! chica

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  2. É isso amigo Antonio,os poetas fingem muito,às vezes há em seus versos palavras de veracidades,como podem ser de ficções,mas o que vale são aquelas que transmitem sonhos em realidades.
    Adorei o vídeo,os versos e as palavras do sábio Fernando Pessoa.
    bjs-Carmen Lúcia.

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  3. Gostei , muito,da foto e da citação.

    Tudo de bom :)

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  4. Bom dia, Ag. Mais um conjunto de mensagens marcantes, uma citação do Pessoa que me acompanha há muito - fingir que a realidade é poesia - um desafio. Um abraço.

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  5. COUCOU je suis désolée mais je ne trouve plus de temps pour les blogs
    mais en tout cas, je suis heureuse de passer chez toi j'aime cette photo et j'aime ce calme que je ressens d'ici gros bisous

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  6. Bom dia Antonio
    A poesia é todo o sentimento do poeta.
    Belo vídeo
    Bárbara

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  7. foto interesante. un encuadre muy bueno.
    un abrazo

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  8. Ah Fernando Pessoa, o fingidor mais verdadeiro da história da literatura portuguesa.
    O único que utilizou o "fingimento" como realidade e expressão literária.
    Acompanhado por uma bela foto!
    Quanto à música, é ouro sobre azul, já a utilizei também num dos meus posts
    e tem na base um poema maravilhoso. Do tempo em que se escreviam canções
    com muita substância.
    xx

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  9. Bela postagem no qual concordo totalmente. O poeta é um Fingidor*...
    Musica linda
    Beijinhos e um dia feliz

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/


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  10. pois é meu amigo a dor pode ser calada e a foto também!
    belíssima!
    :)

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  11. Muy buenas esas letras del gran Fernando Pessoa, la imagen tambien es muy bonita, tanto como ese poema cantado de manera magistral, saludos.

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  12. Quizás más que sentirlo lo siente.
    Me ha encantado la fotografía, Antonio
    Besos

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  13. love this kind of landscapes. very beautiful

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  14. Sempre tem um final bonito


    No teu poema

    Existe a esperança acesa atrás do muro

    Existe tudo o mais que ainda escapa

    E um verso em branco à espera de futuro


    Muito bonito
    Bjuss de sempre
    Rita!!

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  15. Muito boa imagem para uma bela poesia.

    Beijos

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  16. Muy buenos esos negros y grises. Muy bonita Antonio!
    Abrazos

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  17. O Pessoa sabia das coisas...
    Bela postagem, bjus.

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  18. Pessoa não foi só o nosso maior poeta (que me perdoem os Camoístas). Ele era também um sábio. Gosto imenso do Carlos do Carmo e esta música é lindíssima.
    Um abraço

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  19. Una delicia de fotografía, con la calidez y la intensidad de luz que desprende.
    Un beso

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  20. Ainda que se fale do amor, nada terá sido dito.
    Ainda que se fale da dor, nada terá sido dito.
    Da dor e do amor, só um campo aberto à vastidão
    Tal como a sua belíssima foto.

    Ahhh e esta música...quase a mais linda que existe
    quase minha, se o sentir que a música provoca em nós pode se dizer nosso.
    Quase toda minha gratidão expressa nela e em algumas outras.

    Abraços, AG

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  21. Boa noite, António
    Gosto demais de Carlos do Carmo. Há muitos anos, ainda minha mulher era viva, fomos à Casa de Fados dele.
    Foi uma noite inesquecível.
    Belíssima foto.

    Um abraço
    Miguel

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  22. Esse 'lugar' está ficando cada dia mais lindo!
    Poesia na música e nas fotos belíssimas _a cidade a beira rio e o campo com a árvore solitária,
    absurdamente lindo!
    um abraço AG

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  23. Tudo lindo em sua postagem, a colocação de Fernando Pessoa, a poesia maravilhosa que é letra da canção, e sua fotografia. A arte fala, sem depender de qualquer som. Abraço.

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  24. oi Antonio,

    sou uma admiradora de Pessoa,
    tudo que ele escreve me encanta,
    você escolheu lindamente e a foto 'perfeita...

    beijinhos

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  25. Ai esta dor calada que me atormenta
    Fingir que não a tenho pouco adianta.
    Não! Não me consumas lentamente
    Sabemos que o nosso ódio é permanente.
    O meu pensamento continua a aprender
    neste triste presente por contigo conviver
    onde o meu desejo é sempre perder-te.
    Nesta agonia e dor constante
    Sei que um dia perderás e aí eu vou vencer-te!

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  26. Buen blanco y negro para esos campos de cereal segado y en barbecho con ese árbol solitario.
    Un abrazo,

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  27. Bonita composición en blanco y negro, con una sensación de profundidad muy hermosa

    Abrazos

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  28. Olá António. Encontrei-o no G+, vim espreitar o seu cantinho e por aqui encontrei alguns amigos (virtuais) em comum. Gostei muito do "ar" que por aqui se respira. Muitos parabéns pela conjunção de sensibilidade poética, melodia e imagens fantásticas.
    Já me registei como seguidora (bercodomundo), prometo visitá-lo de vez em quando (nem sempre os afazeres da vida deixam muito tempo para a blogosfera).
    Um abraço
    Ruthia d'O Berço do Mundo

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  29. No poema da vida há de tudo um pouco, mas tem de haver, pelo menos um versinho a dar-nos esperança, pois muitas vezes as dores são demasiadas. Quantas vezes fingimos não tê-las, amigo! Obrigada pelo belo momento,, tanto a frase de Pessoas quando desta linda música de Carlos do Carmo. Fica bem. Um beijinho

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  30. Sábias e lindas palavras do grande poeta e que versos soberbos do poeta Carlos. Um deleite para a alma.
    Um abraço

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  31. Adoro Pessoa (não terá sido ele um poeta fingidor?) e adorei ouvir o "Grande" Carlos do Carmo.
    Beij/Paula.

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  32. O poeta sente o que escreve, seja verdadeiro ou pura invenção. E sempre dá um alento ao seu leitor.
    Belas postagens. Parabéns!
    Abraços,
    Mariangela

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  33. Un aplauso prolongado. Es un poema exquisito.
    Gracias por compartirlo con todos nosotros.
    Un beso en vuelo.

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  34. Esta foto está muito boa ! A canção, letra e interpretação também são excelentes !

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  35. Muy buena foto y ambientación para el bello poema que ytraes.
    Un abrazo y buen finde

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  36. Sempre grandes temas!
    Ai, a dor calada... e o poeta fingidor...
    e a alma que tantas vezes sangra sem se ver.

    Bjins

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  37. The landscape is simply, but I love this lovely image.
    Have a happy weekend.

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  38. A fotografia desafia
    o fingimento de Pessoa. E
    fingimos que nada há
    por detrás das sentinelas
    que bordam o horizonte.
    No entanto, no canto
    d' "o teu poema"
    está o salto para ti.
    O que te prende
    ao restolho daqui?

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  39. El árbol contemplando en silencio el campo.
    Un beso.

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